Núcleo de Estudos de
Políticas Públicas
Ana Fonseca. Um nome para não ser esquecido
NEPP
25 Jun 2018
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NEPP
Com a presença do reitor da Unicamp, Marcelo Knobel e do ex-senador e atual vereador pela cidade de São Paulo, Eduardo Suplicy, o Núcleo de Políticas Públicas da Unicamp rendeu homenagens à pesquisadora Ana Maria Medeiros da Fonseca, que nos deixou no dia 25 de março do ano corrente.

O encontro ocorreu no auditório do NEPP, na manhã do dia 20 de junho, e contou com a presença de professores, pesquisadores, alunos e inúmeros amigos que Ana Fonseca colecionou ao longo da sua vida.

Nessa homenagem póstuma também foi feito o lançamento do número especial do Caderno NEPP com três textos de Ana Fonseca e o lançamento de uma placa comemorativa concedendo o nome de Ana Maria Medeiros Fonseca à biblioteca do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas.

A mesa de abertura do encontro foi composta pelo reitor Marcelo Knobel; o coordenador do NEPP Carlos Etulain; a ex-coordenadora Carmem Lavras; a pesquisadora Lilia Montali - organizadora do Caderno Especial NEPP com artigos de Ana Fonseca; Ana Luiza Viana da Faculdade de Medicina da USP e; o vereador e ex-senador Eduardo Suplicy.

O  primeiro a falar foi o reitor Marcelo Knobel que destacou a trajetória intelectual de Ana Fonseca e a importância do seu trabalho à frente dos programas de distribuição de renda no país. Knobel também discorreu sobre o trabalho de Fonseca na universidade e sua contribuição e dedicação à formação de jovens pesquisadores.

O professor Carlos Etulain, que dividia a coordenação do NEPP com Ana Fonseca até seu passamento, destacou a importância e o compromisso intelectual de Ana. “Os estudos sobre transferência de renda desenvolvidos por Ana Fonseca são referência nacional e internacional”, frisou Etulain que salientou ainda sua competência em enfrentar “os desafios com capacidade impar e grande entusiasmo, combinando a alegria, integridade política, intelectual e sensibilidade social”.

Por fim Etulain destacou que das melhores lembranças do convívio com Ana “ficam seus ensinamentos e a felicidade compartilhada nas valiosas horas de trabalho que Ana dedicou a instituição e aos amigos e amigas”.

A alegria contagiante de Ana Fonseca e o seu bom humor foi lembrado pelos demais participantes do encontro. Carmem Lavras - que coordenou o NEPP por duas gestões - acompanhou de perto o retorno de Ana Fonseca de ex-coordenadora  nacional do programa de distribuição de renda do governo federal para reassumir seu cargo de pesquisadora do NEPP, carreira que teve inicio no ano de 1988.

Lavras lembrou que Ana “foi estudiosa, foi gestora, foi uma militante política que nunca se afastou de suas causas e, que sempre foi aberta ao diálogo e à escuta de outras opiniões, coisa rara nos dias atuais”. E foi além, reforçou um ponto na personalidade de Ana que ela muito admirava: “Ana foi uma mulher guerreira, sem nunca ter se afastado do campo de batalha em defesa de um país mais justo e solidário. Foi uma pessoa alegre e descontraída e que deixará muitas saudades para nós amigas e amigos de trabalho e de vida”.

A professora da Faculdade de Medicina da USP, Ana Luiza Viana, que foi parceira  de Ana Fonseca na autoria de inúmeros trabalhos científicos, lembrou-se da amiga com saudades e fez um depoimento sobre da sua vida e militância. “Ana Fonseca destrói o mito de que devemos separar pesquisa, militância e gestão, mostrando que é possível produzir conhecimento acadêmico usando o rigor e o conhecimento gerado pelas investigações, ao mesmo tempo e em todos os lugares, e gerir políticas públicas com apoio dos inúmeros recursos advindos de suas pesquisas e sua militância, por exemplo, as redes de pessoas e de conhecimento gerados pelas pesquisas, e o compromisso com ideais e valores – dimensões caras à boa militância política.

Nas centenas de apresentações que fez ao longo de sua vida (em Congressos, Seminários, entrevistas, reuniões institucionais e de pesquisa), pesquisa, militância e gestão estavam sempre associadas, e eram apresentadas em falas cheias de entusiasmo e histórias, de uma maneira única e muito pessoal, com argumentos, experiência e sentido prático. A especialista em políticas públicas Ana Fonseca era portadora de um dom único e raro, e por isso é reconhecida de maneira singular – ao mesmo tempo em que disseminava conhecimento, transmitia esperança e propostas novas, por onde quer que estivesse”.

Coube à pesquisadora do NEPP Lilia Montali a organização do número especial do Caderno de Pesquisa NEPP, que traz três artigos de Ana Fonseca, intitulado “Proteção social e transferência de renda”. Montali salientou a importância dos trabalhos publicados nesse número especial e a temporalidade dos artigos. O caderno especial pode ser acessado na integra no portal do NEPP.

O vereador Eduardo Suplicy lembrou emocionado da amizade e contato ininterrupto que mantinha com Ana Fonseca desde 2000. Foi nesse ano, disse “que recebi um telefonema de Ana convidando-me para assistir a defesa da sua tese de mestrado, na USP, que tinha como título ‘O debate sobre família e a política de renda mínima’, e discorria sobre o programa de distribuição de renda do município de Campinas”.

Suplicy foi o autor do primeiro projeto de distribuição de renda apresentado no Congresso Nacional, no final da década de 1980. Na metade dos anos 1990, o então prefeito de Campinas José Roberto Magalhães Teixeira, decidiu implantar o primeiro programa de distribuição de renda do país. Ana Fonseca, na época pesquisadora do NEPP, fez parte de um grupo de pesquisadores do núcleo que avaliaram esse programa e se apaixonou pelo tema que se tornou uma motivação da sua vida.

“No inicio da década de 2000”, lembrou o ex-senador Eduardo Suplicy, “Ana Fonseca foi convidada para coordenar o Programa de Garantia de Renda Mínima do munícipio de São Paulo, durante a gestão da prefeita Marta Suplicy. Nessa época existiam vários programas de distribuição de renda como Renda Mínima, Bolsa Escola, Bolsa Luz, Bolsa Gás e vários outros implantados pelos executivos dos três poderes. Foi na prefeitura da capital paulista que Ana Fonseca iniciou o ento caminho de estudos visando à unificação dos vários programas de distribuição de renda, em um único cartão digital. Foi essa experiência que a levou a coordenar o programa Bolsa Família criado no primeiro governo Lula”.

Aproveitando a presença no encontro do professor do Instituto de Economia da Unicamp Márcio Pochman - que foi secretário de Trabalho e Distribuição de Renda do município de São Paulo na gestão de Marta Suplicy - o senador Eduardo Suplicy o convidou para que fizesse depoimento do período que Ana Fonseca esteve à frente, na secretaria que ele dirigia, para implantar o primeiro plano de distribuição de renda do país com união dos vários cartões de distribuição de renda que então existiam no período. Essa experiência foi de extrema importância para a implantação do Bolsa Família no primeiro governo de Luiz Ignácio Lula da Silva.

Cássia  Goreti, também presente ao encontro, foi convidada pelo senador a fazer depoimento pessoal sobre Ana Fonseca durante esse período de experiências de implantação do programa de distribuição de renda efetuado do pela prefeitura paulistana, do qual também participou. Goreti se lembrou da empolgação e dúvidas de Ana Fonseca e afirmou que ela “sempre foi uma fortaleza e sempre adotou decisões sábias e poderadas”. Lembrou uma vez que elas foram ‘in loco’ observar como seria possível iniciar o cadastramento das famílias carentes em um bairro extremamente violento periferia da capital paulista. “Nós vimos que o caminhão de gás entrava com escolta, as entregas dos Correios também eram feitas com escolta (...) daí Ana pensou, olhou para mim e disse: nós não podemos cadastrar as pessoas com escolta (...) Ela estava certa e no final todas famílias foram cadastradas.”

A última pessoa a falar no encontro foi a pesquisadora Adriana Piscitelli, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp (Pagu), e que durante muitos anos foi companheira de Ana Fonseca. Adriana falou que “esse momento não pode ser de tristeza. Isso porque Ana era uma pessoa alegre e sempre dedicada à vida e aos amigos”. Lembrou-se de várias passagens da vida intelectual de Fonseca e ressaltou que a “alegria era a forma de viver da Ana e, portanto, devemos nos lembrar dela sempre com um sorriso”.

A sessão se encerrou com a exibição do documentário “Questão de Oportunidade” que foi o ultimo trabalho realizado por Ana Fonseca em vida. Trata-se de documentário, de 18 minutos, com entrevistas de jovens bolsistas da Universidade Federal do Ceará no campus, situado no sertão do Cariri. O argumento do documentário surgiu no final do ano de 2016 quando Ana Fonseca foi convidada para proferir palestra na Universidade convidada pelos alunos para falar sobre os programas de distribuição de renda.

Ao findar a palestra, ela foi procurada por vários alunos e alunas que informaram serem ‘filhos do bolsa família’, pois, só conseguiram estudar uma vez que suasfamílias estavam inscritas no programa de distribuição de renda do governo federal. Aí nasceu a ideia para o documentário.

A  biblioteca do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas passou a ser denominado oficialmente como Ana Maria Medeiros da Fonseca. A solenidade de descerramento da placa ocorreu na sequência da solenidade do lançamento da edição especial,  em sua homenagem, do Caderno de Pesquisa NEPP. Participaram do descerramento o coordenador do NEPP, Carlos Etulain, o vereador da capital paulista Eduardo  Suplicy e a pesquisadora do PAGU e companheira de Ana por longos anos, Adriana Piscitelli.

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