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Educação Infantil no centro da atenção

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Mais de seiscentas e cinquenta pessoas estiveram presentes nos dois encontros

Um público formado por mais de seiscentos e cinquenta educadores prestigiaram o “VIII Fórum Internacional de Educação Infantil” e “VI Fórum de Educação Infantil como política pública de Educação” que ocorreram durante todo o dia 9 de agosto, nos auditórios do Centro de Convenções da Unicamp.

Os dois Fóruns, que tiveram atuação simultânea, foram organizados pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp (Nepp), através do Programa de Estudos de Política Pública para a Educação Infantil (Peppei) e contou com a presença de três secretários municipais de educação de Holambra, Barueri e Ourinhos e representantes de várias secretarias municipais de Educação da macro da região de Campinas e de outros estados como Minas Gerais e Espirito Santo.

A mesa de abertura foi formada pela professora Adriana Moura da Faculdade de Educação (FE/Unicamp) e diretora da Divisão de Educação Infantil e Complementar (Dedic/Unicamp) que no ato representou o reitor da Unicamp, professor Marcelo Knobel; a coordenadora dos Centros e Núcleos da Unicamp (Cocen) professora Ana Carolina Delfim Moura; do professor Carlos Etulain coordenador do Nepp; da professora Roberta Rocha Borges coordenadora do Nepp/Peppei e organizadora dos dois Fóruns; professora Ana Mariotti da Fundação Antonio-Antonieta Cintra Gordinho (Faacg/Peppei); da professora Valéria Cantelli (Peppei/Nepp);da professora Maria Thereza Amaral de Oliveira vice-presidene da Faacg e a professora Marilia Dourado, presidente da RedSolare Brasil. 

A professora Roberta Borges, coordenadora dos dois Fóruns, explicou que a proposta deste ano teve como objetivo dar continuidade às discussões sobre a prática da pesquisa na escola de educação infantil e apoiar as iniciativas educativas que veem a pesquisa participativa entre adultos e crianças na escola como uma práxis do cotidiano, permeada por muitas linguagens. Disse ainda que é preciso que exista “um comportamento existencial e ético, necessário para interpretar a complexidade do mundo, dos fenômenos, dos sistemas de convivência e um potente instrumento de renovação na educação”.

Roberta Borges afirmou que tendo a pesquisa na escola como temática central “as conferências, as comunicações e as mostras de trabalhos propostas para o encontro tiveram o foco na articulação teoria e prática e em projetos educativos permeados por valores da participação, da ética e da dignidade humana”.

“Cada temática”, diz ela, “é singular e reflexiva e pretende oferecer uma contribuição para a compreensão dos processos e dos percursos investigativos, ajudando-nos a pensar a pesquisa como o entrelaçamento de muitos fios, assim como concebê-la como uma dinâmica pedagógica adequada ao contexto educativo pós-moderno, sustentada pela escuta, pela documentação e interpretação de uma relação recursiva das experiências vividas em comunidade”.

 

Aprender investigando

Os dois Fóruns tiveram longa jornada do período integral e a parte da manhã teve inicio as 09h30 com a mesa redonda intitulada “Aprender por meio do processo de investigação: o que significa isso?” que reuniu intelectuais de diferentes áreas do conhecimento. O primeiro a apresentar seu trabalho foi o historiador matemático Fábio Maia Bertato do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (Cle) que falou sobre o processo de investigação intelectual e da gênese das perguntas à obtenção de respostas.

As professoras italianas Paola Stozzi e Barbara Quinti, convidadas especiais para o encontro, apresentaram trabalho sobre os percursos da investigação na escola e como o contexto de aprendizagem leva as crianças encantarem-se com o conhecimento novo. Paola Stozzi e Barbara Quinti têm forte formação intelectual com educação infantil a partir das experiências educacionais desenvolvidas nas escolas infantis e creches de Reggio Emilia, uma cidade de 170 mil habitantes, localizada no norte da Itália, e referência mundial em educação da primeira infância.

 

Teatro como entretenimento e conhecimento

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Apresentação da peça Scaratuja

 

Logo após o almoço, o ponto alto do encontro foi a apresentação do grupo Scaratuja especializado em peças teatrais para crianças de zero a três anos. Durante meia hora os atores Vladimir Camargo e Aline Volpi encantaram os participantes do encontro com o espetáculo “Scaratuja” que não usa linguagem verbal e explora a expressão do corpo no espaço cênico para se comunicar com as crianças.

Com roteiro e direção de Marcelo Peroni e a musica originalíssima de Gustavo Finkler os dois atores, vestidos de branco, hipnotizaram os adultos que acompanhavam as movimentações dos artistas que transmitiam cenas do mundo infantil através da mimica, da linguagem corporal e utilizavam fitas coloridas e lápis coloridos para construir um mundo real/imaginário. Uma estrutura simplíssima e originalíssima.

Ao final da apresentação o diretor Marcelo Peroni disse a plateia que o grupo tomou conhecimento “desse tipo de espetáculo” quando participaram, há três anos atrás, de um festival internacional de teatro em Milão, na Itália. A trupe de atores e diretor decidiu fazer especialização na Itália e o resultado foi a criação da peça “Scaratuja”.

 

Aprendendo com as crianças

Finda a apresentação teatral as atividades acadêmicas foram retomadas e apresentados mais dois grandes temas com propostas práticas e teóricas. A primeira a palestra foi “Rumo à construção de significado da prática investigativa na escola de Educação Infantil”. 

Nessa apresentação as professoras italianas Paola Strozzi e Barbara Quinti mostraram a importância de se aprender com as crianças. E, para que esse processo de aprendizagem ocorra, é preciso que se façam boas perguntas às crianças.

Dentre as várias experiências concretas que apresentaram uma delas chamou atenção pela simplicidade e pelos bons resultados. Para as duas professoras “um passeio ao bosque com crianças na faixa de três a quatro anos é uma experiência como se fosse uma biblioteca natural educativa”. Paola e Barbara afirmam que a questão fundamental par o aprendizado é fazer  uma questão para as que as crianças deem resposta. Um exemplo como: o que é natureza?”

Mostrando uma série de imagens desse passeio as professoras disseram que as respostas das crianças surgem de formas originalíssimas e criativas. Uma das crianças, por exemplo, usou de uma câmara fotográfica e ao ser questionado o que era natureza prontamente respondeu que a natureza estava ali guardada, na imagem da sua pequenina câmera digital. “Nesse processo todos nós aprendemos juntos, pois, as crianças teem olhar aguçado para ver e interpretar o mundo que as rodeia”, disse Paola Strozzi.

A segunda mesa do período da tarde, antes do debate final do encontro, teve como tema “A investigação na educação infantil: narração do percurso em escolas brasileiras” mediada pela professora Valéria Cantelli do Peppis/Nepp. Nesse encontro foram apresentadas as documentações elaboradas pelos alunos do curso internacional de aprofundamento em educação infantil organizado pelo Nepp, a RedSolare, Faacg e Reggio Children de Reggio.

Os trabalhos apontam que as crianças são pesquisadoras natas. Elas olham o mundo e se interrogam sobre as coisas, vão à busca de respostas sobre diferentes questões da vida. Por isso professores e educadores, quando organizam as propostas de trabalhos para as crianças, tem que se perguntar: “será que estamos organizando, de fato, propostas de ação? Propostas investigativas? Estamos convidando as crianças a agirem e conhecerem? A maravilharem-se com o conhecimento? As crianças são autoras das investigações que realizam na escola? E nós, professores, participamos efetivamente desses processos com as crianças?”.