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Nepp celebra 35 anos
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Ana Carolina de Moura Delfim Maciel (Esq.), Marcelo Knobel e Carlos Raul Etulain. Foto: Marcos R. Pereira

“O NEPP é um núcleo de pesquisa aplicada e interdisciplinar. Pensar na pesquisa aplicada é um compromisso da universidade pública e o fato de ser interdisciplinar a torna importante, porque diferentes visões são colocadas sobre o mesmo objeto, mas partindo de diferentes itinerários intelectuais. E isso é o que enriquece a pesquisa, o diálogo e o debate.” A afirmação foi feita na manhã da última quinta-feira (1) pelo coordenador do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP) da Unicamp, Carlos Raul Etulain, durante mesa de abertura para celebrar os 35 anos do Núcleo.

O NEPP, conforme seu coordenador, tem vários estudos que envolvem áreas da saúde, avaliação do ensino superior, médio e infantil, transferência de renda e o combate à pobreza, além dos projetos individuais dos seus pesquisadores. “E tudo isso é o que transforma 35 anos de história em uma longa lista de produtos e trabalhos publicados”, acrescentou.

“A política pública é muito importante para o desenvolvimento do país. Hoje, vivemos uma realidade política complicada, mas a política pública se realiza à medida que tenha continuidade porque ela tem a capacidade de modificar as estruturas históricas da sociedade. Essa modificação permite avançar em realidades específicas e alterar condições. Isto é produto de diagnóstico, trabalho, execução e avaliação”, segundo o professor.
 
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Carlos Raul Etulain. Foto: Marcos R. Pereira

 

Centros e Núcleos Interdisciplinares atuam em diversas áreas

A responsável pela Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen), Ana Carolina de Moura Delfim Maciel, reiterou a atuação dos centros e núcleos em diversas áreas do conhecimento que vão desde as políticas públicas à demografia, história oral, meteorologia, memória, nanotecnologia, jornalismo científico, energia, música, genética, fármacos, linguística, imigração, gênero, petróleo, teatro, filosofia, dentre outras.

Ana Carolina Maciel fez um breve relato da trajetória do NEPP. Antes de ser criado em 1982 na gestão Pinotti (1982-1986), um grupo de professores da Unicamp, entre eles sociólogos, economistas, cientistas políticos e educadores, atuava em ações e pesquisas voltadas às políticas públicas. Sônia Miriam Draibe, Geraldo Di Giovanni, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Vilmar Evangelista Faria, José Guilherme Cantor Magnani, André Maria Pompeu Villalobos, Paulo Renato Costa Souza e Ana Maria Canesqui estão entre os pioneiros que se dedicaram a estudar os aspectos políticos, sociais e econômicos do Brasil no inicio da década de 1980. “A criação do NEPP gerou, portanto, um espaço institucional necessário para que essas pesquisas e estudos pudessem ser desenvolvidos plenamente”, ressaltou.
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Ana Carolina de Moura Delfim Maciel. Foto: Marcos R. Pereira

Cotas étnico-raciais

Desde 2011, o NEPP é responsável pela coleta de dados e análise de desempenho acadêmico e profissional dos alunos do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), programa idealizado pelo reitor Marcelo Knobel, que participou da mesa de abertura.

Embora tenha destacado a importância dos estudos e pesquisas realizados pelo NEPP para o País, especialmente na área de ensino superior, com a Faculdade de Educação, o Instituto de Geociências e o Instituto de Física Gleb Wataghin, o reitor da Unicamp chamou a atenção para a discussão e debate ocorridos no Conselho Universitário (Consu), na última terça-feira (30), quando o órgão máximo deliberativo da Universidade aprovou o princípio das cotas étnico-raciais para ingresso nos cursos de graduação da Unicamp a partir de 2019. Disse que após o Consu, tem recebido tanto elogios quanto críticas. Segundo o reitor, foram três horas de debates para um assunto que todo mundo estava de acordo. “A reunião demorou dez horas, aproximadamente. Foi uma reunião intensa, necessária, importante para a Universidade e que sempre precisa ser feita quando envolve questões de políticas públicas para se discutir de que maneira [essas políticas] serão implementadas. É um assunto que merece ser discutido, aprimorado, e este é o papel da Universidade.”
 
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Marcelo Knobel. Foto: Marcos R. Pereira

 

Crise financeira

O reitor falou ainda sobre a atual situação financeira da Unicamp, que considera “preocupante e um risco à autonomia da Universidade”. Segundo Knobel, está previsto um déficit da ordem de R$ 250 milhões em 2017. USP e Unesp estão em situação similar ou pior, em particular, a Unesp, que não tem recursos para pagamento do décimo terceiro salário este ano, explicou o reitor. No caso da Unicamp, Knobel defendeu as medidas tomadas no início da sua gestão que afetam a progressão na carreira, a contratação e a reposição dos quadros de docentes, pesquisadores e funcionários que podem se aposentar a qualquer momento, dizendo que, “são medidas drásticas que afetam a vida das pessoas, mas necessárias para pagar os salários”. Segundo o reitor, generic drug center mesmo praticamente parando todos esses processos, a economia é da ordem de R$ 30 milhões de reais para este ano. “Dentro de um déficit de R$ 250 milhões, o valor ainda é irrisório". Está havendo diálogo entre Unicamp e Governo do Estado, segundo ele, para tentar mais recursos.

 

Questão de oportunidade

Após a mesa de abertura, o NEPP exibiu o vídeo intitulado "Questão de Oportunidade". No vídeo, cinco jovens do município de Sobral (CE) contam como suas vidas mudaram a partir do surgimento dos programas de inclusão social nas últimas duas décadas, em especial o Bolsa Família, e após conseguirem uma vaga em uma universidade pública. Produzido pela pesquisadora do NEPP Ana Maria Medeiros da Fonseca, o vídeo ainda foi tema mesa-redonda, que contou com a participação do sociólogo e professor da PUC-Campinas André Pires, do professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp Márcio Barreto, além da própria pesquisadora.

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Márcio Barreto (Esq.), André Pires e Ana Maria Medeiros da Fonseca durante mesa-redonda "Questão de Oportunidade", realizada para comemorar os 35 anos do NEPP

 

Assista ao vídeo "Questão de Oportunidade"